CC&NUTS

04 Mai 2025

CC&NUTS

Castanheiro vs Alterações Climáticas: o papel do stress priming e da micorrização

A importância da castanha para a economia nacional é inegável, mas a sua produção está ameaçada pelas elevadas temperaturas e pela escassez de água. Para mitigar o efeito destes stresses abióticos, surgiu o projeto CC&NUTS.

O projeto CC&NUTS foca-se no desenvolvimento de estratégias para aumentar a tolerância do castanheiro às alterações climáticas.

Para mitigar o efeito das elevadas temperaturas e da escassez de água, o projeto recorre a duas estratégias reconhecidas como potencialmente mitigadoras destes stresses – a micorrização e o stress priming.

Objetivos

  • Comparar a resposta de diferentes variedades de castanheiro a períodos de escassez de água e elevadas temperaturas, a nível fisiológico e bioquímico, de modo a selecionar as variedades mais bem-adaptadas a estas condições adversas.
  • Otimizar a micropropagação de castanheiros e estabelecer a micorrização de porta-enxertos relevantes, nos quais serão enxertadas as variedades com maior potencial de tolerância ao stresse.
  • Avaliar o potencial do stress priming para aumentar a tolerância do castanheiro a episódios subsequentes de escassez de água e elevadas temperaturas.
  • Validar a estratégia proposta em condições de campo aberto.

Resultados

“Até ao momento, já percebemos que o castanheiro é mais sensível à falta de água do que às temperaturas elevadas e que, numa situação de co-exposição, os efeitos do calor intensificam os danos provocados pela secura. Relativamente à micorrização, já podemos concluir que é uma estratégia eficaz; uma planta micorrizada mostra mais capacidade de lidar com a falta de água e com as temperaturas elevadas do que uma planta não micorrizada.”

Fernanda Fidalgo – Coordenadora do Laboratório Plant Stress Lab (GreenUPorto/FCUP) e líder do consórcio

Excerto retirado da entrevista ao CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.

 

A escassez de água comprometeu de forma acentuada o crescimento das plantas não micorrizadas, afetando significativamente o conteúdo relativo de água, a produção de novas folhas e a área foliar. Em contraste, a micorrização mitigou de forma eficiente parte destes efeitos, apresentando as plantas micorrizadas expostas ao calor e à secura padrões de crescimento semelhantes aos das plantas controlo.

A associação com ectomicorrizas promove o crescimento, melhora as relações hídricas, aumenta a atividade fotossintética e estimula diferentes mecanismos de defesa antioxidante.

Resultados descritos no artigo técnico-científico publicado na revista Voz do Campo.

 

A micorrização demonstra ser uma estratégia sustentável para o aumento da tolerância do castanheiro às alterações climáticas. A caracterização do seu efeito em plantas do porta-enxerto Marsol encontra-se descrita na revista científica Plant Physiology and Biochemistry.

Além disso, “a integração de estratégias baseadas na aplicação de silício em combinação com a inoculação micorrízica revela-se promissora, podendo constituir uma abordagem viável para fortalecer a resiliência do castanheiro às crescentes pressões ambientais impostas pelas alterações climáticas.”

Resultados descritos no artigo técnico-científico publicado na revista Voz do Campo.

 

A utilização de plantas da variedade Marsol pode representar uma vantagem em termos de resiliência climática, uma vez que plantas desta variedade apresentaram o seu desenvolvimento afetado em menor extensão, em comparação com plantas da variedade CA_90, quando expostas a condições de stresse abiótico. A caracterização da resposta fisiológica de plantas das variedades Marsol e CA_90 quando expostas a condições de elevada temperatura e/ou escassez de água encontra-se descrita na revista científica Plant Physiology and Biochemistry.